O senso comum muitas vezes nos leva a entendimentos precipitados das coisas, com o design não é diferente, e isso fica bastante evidente quando perguntamos a alguém o que ou para que serve o design. Uma resposta bastante provável é que o design serve para fazer coisas mais bonitas.
O erro fundamental esta em ignorar ou deixar em segundo plano as questões funcionais do design. O design é fundamentalmente uma forma de solucionar problemas. E é bem fácil demonstrar isso e poderiamos dar uma série de exemplos para confirmar esta afirmativa, mas hoje mostraremos um só, este aqui:
Tukaani: hashi para novatos
Os famosos “pauzinhos” usados na culinária japonesa, o nome é hashi, são um grande desafio a quem se aventura em um restaurante japonês pela primeira vez. Uma solução usual (bem melhor do que apelar para o, até desrespeitoso, garfo e faca) é juntar o hashi com um elástico, mas convenhamos que além de feio e deselegante a solução é também pouco prática, pensando em dar uma solução melhor, mais eficiente e mais prática para este problema o designer Lincoln Kayiwa criou o Tukaani.
o Tukaani em ação
Mais do que uma bela forma o design deve servir a uma função, solucionar um problema, melhorar / facilitar a relação das pessoas com objetos, interfaces, etc.
As obras de Street Art foram, por muito tempo, descriminadas e/ou tratadas como arte menor e marginal. Durante a década de 1990 e especialmente nos anos 2000 estes estigmas foram sendo superados graças ao trabalho sério e de alta qualidade de alguns destes artistas, o que permitiu que até mesmo espaços de altíssimo renome nas artes como o famoso Tate Modern, em Londres, pintasse, recentemente, suas paredes com obras de alguns dos mais renomados nomes da Street Art mundial.
Os grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como Os Gêmeos e Nunca, outro grafiteiro brasileiro, foram convidados a pintar as paredes do Tate.
Confiram o vídeo do Tate Modern sobre a exposição, clicando aqui, e abaixo um vídeo do Portal Senai Design só com obras d’Os Gêmeos.
Criar o máximo de resultado com o mínimo de recursos é uma tarefa difícil e que depende de muito planejamento (os erros e os testes feitos no papel são sempre mais baratos) e de muita criatividade (sem criatividade, você só usará fórmulas velhas e gastas).
Usar idéias que aparentemente são comuns, banais ou fora de contexto podem gerar ótimos resultados. Alguém aí já imaginou, por exemplo, um comercial para carro feito apenas com aquela brincadeira de sombras feitas com as mãos?
Pois um belíssimo vídeo foi feito para divulgar o Volkswagem Phaeton na Europa, com esta idéia, vejam o resultado:
É um belo vídeo, prende a atenção e constrói muito bem a relação entre os elementos do comercial, as mãos e suas “obras”, com o produto do comercial, o VW Phaeton.
Lembrem-se sempre: planejamento + criatividade + pensar out of the box = ótimos resultados. Mesmo quando se deve fazer muito com pouco.
Apesar de gostar dos carros da alemã BMW não é exatamente a eles que me refiro quando falo em “escultura em movimento”, me refiro a uma instalação criada pela ART+COM para o renovado museu BMW-Welt em Munique.
A instalação feita com 714 bolas metálicas suspensas por fios quase invisíveis geravam formas diversas no espaço, além, é claro, das formas dos carros clássicos da marca ao logo destes 90 anos de existência.
As bolas metálicas controladas de forma independente permitiam à instalação recriar praticamente qualquer forma e geravam um belíssimo efeito, confiram abaixo:
Não se preocupe, a INK_Designers - Agência de Criação não está fazendo deste blog um compêndio de nossas opiniões sobre política e sociedade, o título “Velocidade mata” é, na verdade, o nome de uma exemplar campanha publicitária de utilidade pública realizada na África do Sul.
Para escapar das multas por excesso de velocidade muitos motoristas de Johanesburgo, capital da África do Sul, retiravam as placas de seus carros, para evitar que fossem identificados por radares fotográficos.
Para conscientizar os motoristas dos riscos da alta velocidade, foi criado para a Arrive Alive (Chegue com vida), a campanha Speed Kills (Velocidade Mata).
Criaram placas magnéticas que diziam Speed Kiils e as colocaram em diversos carros que tinham as placas retiradas.
No verso as placas vinham com mensagem como estas:
Quando você está prestes a colidir a 180km/h, uma multa por excesso de velocidade será a última de suas preocupações.
Quando você tira a vida de uma criança a 200km/h, uma multa por excesso de velocidade será a última de suas preocupações.
Quando você desmembra um pedestre a 160km/h, uma multa por excesso de velocidade será a última de suas preocupações.
Não use seu carro como uma arma.
Além destas mensagens as placas ainda trazia dados informando que 1/3 dos acidentes de trânsito eram causados por excesso de velocidade e traziam informações sobre a campanha.
Esta é outra campanha que merece destaque pelo pensar out of the box, pela ousadia e pela relevância. Ótimo exemplo!
Criando soluções em Design, Planejamento, Publicidade e Arquitetura
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